China deixa de importar lixo estrangeiro

22/02/2018

Desde 1980, país é maior importador mundial de “lixo estrangeiro”, recebendo mais da metade dos resíduos sólidos de nações desenvolvidas

A China começou 2018 com uma resolução radical: não quer mais ser a lixeira do mundo.

Desde a década de 1980, o país tornou-se o maior importador mundial de “lixo estrangeiro”. Mais da metade dos resíduos plásticos, eletroeletrônicos, têxteis e de papel gerados no globo terminam em solo chinês.

Eles chegam aos milhares de toneladas em navios que de outra forma estariam vazios quando retornassem ao país asiático depois de entregar bens de consumo na Europa, Estados Unidos e demais países.

Por um lado, o processamento de resíduos sólidos garantiu ao país uma fonte mais barata para produzir produtos para sua economia em crescimento, por outro, deixou um rastro de poluição tóxica no meio ambiente, com graves consequências para a saúde pública.

Cansada de ser a lixeira do mundo e determinada a cuidar melhor da própria sujeira, a China resolveu proibir a importação de 24 categorias de resíduos sólidos.

A decisão foi anunciada em julho do ano passado e entrou em vigor em 1º de janeiro, dando às empresas dos países exportadores apenas seis meses para se adequar e procurar outras opções para lidar com o lixo.

Não significa que a China deixou de importar resíduos: o país continua disposto a aceitar “sucata estrangeira”, desde que ela atenda a padrões mais elevados de qualidade, garantidos por uma segregação e acondicionamento adequados no local de origem que evitem contaminação do material, o que a maioria dos países atualmente não pode cumprir.

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China passa a se dedicar ao passivo ambiental

Ao elevar as exigências da importação de resíduo, o país ganha fôlego para se dedicar à resolução dos passivos ambientais gerados pela prática.

Um dos exemplos mais notórios do problema e do tamanho do desafio que aguarda os chineses é a reciclagem de plástico.

Em 2016, o país processou nada menos do que 7,3 milhões de toneladas de lixo plástico — volume que representa mais da metade de resíduos plásticos do mundo — de nações desenvolvidas, incluindo Reino Unido, Estados Unidos, Japão e União Europeia.

O influxo colossal de resíduos na China gerou cidades inteiras dedicadas à cadeia de reciclagem, porém, em condições que estão longe do ideal.

Ambiente insalubre de trabalho, uso de mão de obra infantil, ausência de equipamentos de proteção (como máscaras e luvas) são comuns nos centros de triagem.

Cuidando da própria sujeira

A expectativa é que a proibição sobre as importações impulsione melhores medidas de descarte e reciclagem na China e, também, nos países exportadores.

Em muitos países, o envio de plástico e outros resíduos para aterros sanitários é proibido por lei, o que vai obrigar os governos nacionais a arregaçar as mangas e planejar políticas públicas que ataquem o problema, ao invés de exportar a sujeira para outras fronteiras.

Um efeito positivo é o países concentrarem-se no desenvolvimento de indústrias domésticas de reciclagem, solução, porém, que não vem da noite para o dia.

Também é possível estimular mudanças no comportamento do consumidor e implementar estratégias para reduzir o uso de plástico descartável, mudanças que já estão ganhando impulso pelo mundo.

Em última análise, no entanto, a crise de resíduos deve ser abordada na fonte do problema. “O mundo não pode continuar com o atual modelo de consumo de desperdício baseado no crescimento infinito em um mundo finito. Em vez de encontrar novos lugares para exportar resíduos, os governos e o setor privado devem encontrar maneiras de simplesmente reduzir a quantidade de resíduos que estamos criando”, disse o coordenador da campanha contra plásticos do Greenpeace Asia, Liu Hua.

 

Leia também: O que fazer com o lixo que a China parou de comprar?

 

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FONTE: EXAME

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